
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
O Largo de Carlota

Os bondes
Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico
Largo do Machado
A 18 de novembro de 1862 é fundada pelo Barão de Mauá a Companhia de Caminho de Carris de Ferro do Jardim Botânico para ligar o Centro do Rio até esse então distante lugar.
(...)
Em 9 de outubro de 1868 D.Pedro II inaugura o segundo sistema de bondes da capital do Império: 3 km de linha (de bitola de 1435mm) ligam a Rua do Ouvidor, no Centro, ao Largo do Machado; e seis semanas depois a linha já chega a Botafogo.
(...)
E, no primeiro dia de 1871, os bondes atingem finalmente o Jardim Botânico.
Em 1879, ano da invenção do telefone, esse equipamento é instalado em todas as estações de bondes da Botanical Garden, interligando-as.
(...)
É construída uma Usina Termoelétrica no Depôt da rua 2 de dezembro, - à porta da qual se reúnem-se os elegantes da época, entre os quais Ruy Barbosa, o qual, rendido às maravilhas do novo meio de transporte, afirma, referindo-se ao bonde: «- Se não existisse era preciso inventá-lo!»... - são encomendados (novamente) à John Stephenson Company três carros (desta vez) motores, e são eletrificados 3 km de linha entre o Largo da Carioca e o Largo do Machado - sensivelmente a mesma linha e o mesmo traçado usado na inauguração dos bondes há um quarto de século atrás.
Os primeiros testes têm lugar a 12 de agosto de 1892; e às 13h de 8 de outubro dá-se a solene inauguração do sistema de bondes elétricos da Jardim Botânico - o primeiro do país e da América Latina.
Fotos do Depôt da Companhia Ferro Carril do Jardim Botânico, no Largo do Machado.
Reprodução de um postal do início do século, vendo-se ao centro o portão de saída dos bondes.
Postal datado de 1908, mas cuja fotografia terá sido tirada um ou dois anos antes.
(Postais da coleção de Allen Morrison)
As construções da C.F.C.J.B. voltadas para o Lgº do Machado foram todas demolidas nos anos 70 aquando da construção do Metrô do Rio. A parte frontal dos terrenos serviu para o alargamento das calçadas do Largo; o seu interior serve ou de estaleiro do Metrô ou foi arrendada à DETRAN - Divisão Estadual de Trânsito, para a vistoria dos automóveis. O único edifício remanescente fica na esquina da rua 2 de Dezembro (na foto ao lado a sua fachada voltada para esta rua, podendo ler-se no medalhão «Sala das Machinas - 1907» e abaixo do capitel as iniciais C.F.C.J.B) com o Beco do Pinheiro, (foto abaixo) e serve atualmente como local de exposições temporárias. |
(Fotos a cores de Emídio Gardé, em janeiro de 1999)
Via permanente
Reprodução do esquema oficial de linhas da C.F.C.J.B., na parte envolvente do Depôt do Largo do Machado, «L. Machado Barn», 1960.
(Esquema da coleção de Allen Morrison)
Com o fim dos bondes, os trilhos foram sendo ou cobertos pelo asfalto ou retirados, dependendo das circunstâncias e das obras efectuadas nas ruas.
Na parte envolvente ao antigo Depôt do Largo do Machado, apenas subsistem atualmente vestígios cobertos de asfalto (pelo menos que sejam detectáveis) no arruamento sul do Largo, no beco do Pinheiro e na Rua Machado de Assis.
Os trilhos já foram retirados (que eu tenha conhecimento): em 1996 no arruamento norte do Largo; em 1997/8 na rua 2 de dezembro; e em 1998/9 na Praia do Flamengo. Também na Rua do Catete a maioria dos trilhos terá sido levantada aquando da construção do Metrô.
Levantamento dos trilhos na Praia do Flamengo, no cruzamento com a rua 2 de dezembro,
em meados de 1998.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Tapume, mendigos, turistas e pamonhas




segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Largo do açougueiro
Antes disso, na primeira reunião de equipe, na sexta feira, Paola tinha comentado que o Largo do Machado assim se chamava por conta de um açougueiro que tinha uma machado na porta de seu estabelecimento. Acabada a reunião, ao passarmos pelo Largo, nos deparamos com uma espécie de confessionário, onde tem escrito um suposto diálogo entre um investigador e Machado de Assis, que confirma a versão da wikipedia, acrescendo, ainda, que o escritor tinha somente 3 anos na época em que o Largo já era muito famoso.
Hoje apareci por lá no final da tarde e escolhi observar os adolescentes na porta da escola, naquele ócio desprovido de culpa que só eles sabem ter. Fiquei reparando nesse menino que olha pra cima na foto. Ele ficou o maior tempão ali, e eu, de tanto olhar pra ele, acabei entrando na onda e só então fui me dar conta de como a tarde estava bonita. Olhar pra cima exercita a contemplação. Os adolescentes usam a praça pra alongar o tempo de diferentes formas, seja roendo as unhas, tomando uma coca-cola ou jogando charme pras gatinhas (como parece fazer aquele estudante lá do fundo).
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
O Projeto
O projeto é composto por uma série de “interações coreográficas camufladas” realizadas por 11 bailarinos/atores na praça do Largo do Machado, na entrada da Galeria Condor e na esquina da Rua 2 de Dezembro. Estas intervenções serão gravadas por webcams, e as imagens serão transmitidas em tempo real, via internet, para o oitavo andar do Instituto Oi Futuro, onde serão editadas e sonorizadas numa performance de “cinema ao vivo”.
Este projeto pretende revitalizar o espaço público do Largo do Machado, lançando um olhar poético sobre a arquitetura, os moradores, a história, o cotidiano e as memórias passadas e presentes do bairro. Da mesma forma pretende mobilizar os freqüentadores e moradores da praça a compartilharem suas experiências e seus registros visuais, compondo uma grande cartografia afetiva do bairro.
De 30 de Agosto a 20 de Outubro estaremos ensaiando todos os dias por estas imediações. De 21 de Outubro a 20 de Novembro apresentaremos a temporada oficial da performance. A entrada será gratuita e todos os moradores, simpatizantes e passantes do Largo do Machado são convidados a assistir, seja diretamente na praça, das janelas de seus apartamentos, pela internet, ou as instalações do Oi Futuro.